O que é Beleza afinal?
- Adriana Liberato
- 11 de mar. de 2021
- 4 min de leitura
a semana passada eu tive a honra de bater um papo incrível e super inspirador com Judith Ann Warren - fotógrafa, atriz e modelo americana, que vive em Los Angeles - a respeito da experiência dela de ter sido capa da Vogue Singapura no mês de fevereiro deste ano, na idade madura. Pra conferir esse bate papo, clique aqui.
Esse bate papo foi tão inspirador que me despertou a curiosidade sobre como as mulheres maduras enxergam a beleza. Eu não sei você, mas eu mudei completamente o meu olhar. A minha definição de Beleza aos 20 anos era totalmente voltada para o físico. Para ser bonito deveria se enquadrar no padrão de beleza, criado por não sei quem e seguido, sem questionamentos, por uma toda uma sociedade (aliás, essa tal de não sei quem é uma influencer e tanto!). Pois, quase aos 50 anos, me pego pensando sobre esse assunto e percebo que o comportamento das pessoas influencia muito na forma como as enxergamos.

O mais curioso é que acabei de me dar conta que todos esses padrões se encaixam apenas no universo feminino. Como nós mulheres somos muito mais generosas com os homens que com nós mesmas! De forma geral, estamos à procura de homens interessantes. Os atributos físicos não são uma barreira. Se o cara tem um sorriso bonito e um bom papo, ele já está qualificado para a 2ª fase.
Porém quando o assunto é beleza feminina, a conversa muda de rumo. Parece que temos um scanner embutido que, ao olhar para outra mulher, seja lá qual for, ele é acionado imediatamente e, sem que ela ao menos abra a boca, fazemos um exame minucioso acerca de quem é ela e damos um veredicto sem que “a coitada” (adj. Digna de pena, de dó, de compaixão; desafortunada, infeliz), possa se apresentar. Sim, somos especialistas na arte de julgar! E o nosso ego é tão grande, que alguém venha dizer que o nosso sexto sentindo está errado.

Onde fica a tal da empatia que adoramos encher a boca pra falar? Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Quantas vezes perdemos a oportunidade de conhecer histórias interessantes por trás daquele rosto! Sabe quando isso mudou pra mim? Quando mudei de país! A gente se acostuma a levar a vida de um jeito e quando precisamos sair da nossa zona de conforto muitas vezes precisamos nos desconstruir. E nos despir das nossas convicções, dos nossos julgamentos... E isso é maravilhoso (no início é foda!)!
Optei por dar uma segunda chance a algumas pessoas que não tive uma boa primeira impressão. E sim, é necessário fazer um esforço! Às vezes me perguntava: por que estou perdendo esse tempo? Mas resolvi insistir e dou graças a Deus! Quantas pessoas bacanas eu conheci e me aproximei nos últimos 7 anos! Mulheres que eu jamais trocaria o número do telefone. E quem ganhou fui eu! Porque na verdade quando temos empatia com o outro, estamos nos dando à chance não só de compreender o sentimento e as emoções dele, mas de nos reconhecermos nele.
E quando eu ouvi Judith dizer, em nosso bate papo, que o momento mais incrível de toda a experiência de fazer a capa da Vogue, foi quando todas as mulheres envolvidas na produção (2 modelos mais jovens, fotógrafa, cabeleireira e maquiadora) estavam se encorajando, resolvi que era o momento de fazer algo. Eu sou apenas uma formiguinha, mas quero fazer a minha parte. Precisamos deixar de lado o julgamento e a falta de empatia. Vivemos pedindo igualdade, mas esquecemos de fazer a nossa parte.

De que forma podemos ajudar outras mulheres? Uma conversa, um conselho, uma ajuda profissional, uma dica que possa facilitar a vida dela em qualquer área, uma carona, um livro, uma conexão com outras pessoas, um suporte com os filhos, uma receita, uma sugestão de aplicativo ou até mesmo um bilhetinho virtual. É muito fácil saber como ajudar, a resposta está dentro de cada uma de nós. Afinal, também somos mulheres e temos as mesmas necessidades.
Temos um longo caminho a percorrer na estrada da igualdade, mas se começarmos fazendo a nossa parte, nos unindo e encorajando, o caminhar será muito mais leve.
Voltando ao título desse texto, eu fiquei tão pensativa acerca do conceito de Beleza que resolvi fazer uma enquete com mulheres maduras de diversas nacionalidades. O resultado ficou incrível e você pode conferir clicando no vídeo abaixo.
Sabe qual foi a minha conclusão? A beleza está em se abrir pro mundo, está na diversidade, no respeito, em se reconhecer no outro, se doar, em tornar a vida das pessoas que nos cerca melhor e o mundo ao nosso redor mais iluminado. E assim irradiamos o que temos dentro de nós. Tem coisa mais linda que uma alma iluminada?
E se a nossa vaidade nos faz bem, tá bom também! Se você gosta do que vê no espelho quando está maquiada, quando pinta o cabelo, quando percebe que os quilinhos extras que você ganhou foram resultado de boas conversas regadas a boa comida e bons vinhos, quando se arruma para sair, quando volta da academia, quando vê o seu cabelo grisalho te deixando livre, quando consegue emagrecer 2kg, quando as suas rugas te fazem lembrar as boas risadas que você já deu, quando acaba de fazer um procedimento estético, quando lembra que as suas cicatrizes foram a prova que você venceu, quando consegue conquistar algo... vá em frente! Só você sabe o que te faz feliz! Felicidade e Beleza andam de mãos dadas!
Comments